Reprovação: o que aprender desta lição.

26 nov

por Vivien Rose Bock, diretora do CAPE

Eis que chegam os últimos dias do ano letivo e os resultados finais são divulgados. A maioria dos alunos segue em frente para o próximo ano mas sempre há os que reprovam.

A reprovação é uma situação delicada e que merece uma atenção muito especial, é necessário debruçar-se sobre este resultado e entender o seu significado, que é diferente para cada aluno, para cada família e para cada professor.

A repetição deveria ser encarada como uma nova chance para o escolar de aprender o que não foi devidamente assimilado mas certamente é o sentimento de fracasso que se apresenta nesta situação, principalmente para o aluno. Seus colegas conseguiram passar e ele ficou para trás. A auto estima sofre um forte abalo.

– Por que eu não consegui? Por que os outros foram adiante e eu não? Eu sou burro, já sabia que ia rodar! Como enfrentar a família, pais, irmãos e amigos? E no ano que vem vou para a turma dos menores, vou ser o mais velho?

Sentimentos de fracasso, vergonha, raiva da escola, dos professores, de si mesmo.

E como a família lida com esta situação? O filho é uma decepção, rodou porque quis, não estudou, é malandro. A filha tem dificuldades, coitadinha, se esforça mas não consegue acompanhar. A escola não tem metodologia didática para ensinar crianças como meu filho, só consegue educar de um jeito tradicional…

Os alunos rodam por vários motivos e é fundamental que a escola consiga definir quais as causas que dificultaram a aprendizagem suficiente para a aprovação de cada estudante pois só assim o aluno, sua família e a própria instituição escolar podem entender e criar estratégias para solucionar estas dificuldades.

Como ajudar emocionalmente frente à reprovação escolar

Em primeiro lugar penso que a escola deve se preocupar em apoiar os alunos e familiares neste momento sendo continente de seus sentimentos e atenta principalmente para a auto estima da criança ou adolescente.

É importante deixar claro que ninguém é burro ou incapaz porque precisa repetir um ano e que aprender o que não conseguiu é fundamental para a consistência dos seus conhecimentos. Muitas vezes, o aluno que se apresenta fraco academicamente num ano, no próximo consegue muitos bons resultados justamente porque reviu conteúdos que já tinha aprendido parcialmente e então os compreende de forma completa e sua autoestima cresce.

Também é comum a repetição ser oriunda de imaturidade emocional ou cognitiva, de alunos que entraram muito cedo em relação à faixa etária da turma e das exigências escolares daquele período. Assim a repetição se torna um ajuste etário, o aluno acompanhará com mais tranquilidade o que será solicitado, com menos estresse e com mais chance de sucesso.

Por outro lado, se a reprovação foi motivada por “malandragem”, “ preguiça”, se o aluno não fazia seus temas, não estudava para as provas, só ficava no celular e dormia muito tarde, não só o aluno deve rever seus comportamentos como também a família precisa entender que ele ainda não demonstra autonomia suficiente para se organizar e assumir as responsabilidades escolares sozinho. É importante orientar esta família de como manter um controle e auxílio para com o filho, sem contudo assumir seus deveres. No entanto, sabemos que muitas famílias não conseguem cuidar de si mesmas e a escola (psicóloga, coordenação e professores) deve estar então mais próxima deste estudante no próximo ano, acompanhando seu desempenho e resultados mais de perto e auxiliando-o na organização escolar.

No entanto, os resultados negativos que levam à repetição, podem ser sintomas de distúrbios emocionais existentes e a reprovação pode desencadear um processo depressivo importante que deve ser alertado à família e tratado com o aluno. Neste caso, devemos analisar o histórico pessoal e familiar, os relacionamentos afetivos e sociais e indicar acompanhamento psicológico para o fortalecimento emocional do jovem.

É sempre interessante ajudar a enxergar que a reprovação, apesar de não ser agradável a ninguém, não se trata de algo incomum, que num primeiro momento é realmente chato e triste, mas que em todos anos se apresentam alunos que se beneficiarão com o que naquele instante parece ruim. É importante não banalizar a situação, realmente várias coisas não deram certo durante o ano letivo e deverão ser revistas para o próximo, mas também não se trata do fim-do-mundo. Ficar chateado ou chorar fazem parte de enfrentar as vicissitudes da vida e também estes sentimentos nos amadurecem e levam à uma reflexão mais profunda de como entender o que deve ser modificado. Até mesmo a alegação frequente de que perderão seus amigos pode ser relativizada, pois continuarão os encontrando na escola e também podem marcar atividades fora dela. Além disso um novo grupo de amigos irá se formar ao ingressarem numa nova turma, como aconteceu quando ingressou na escola.

Ás vezes, surge também a preocupação de como comunicar aos outros (colegas e familiares) da reprovação, principalmente pelo receio de sofrer alguma gozação ou reprimenda. Em primeiro lugar deve o próprio aluno colocar a situação não como um fracasso, mas como uma oportunidade de se dar bem na vida, de melhorar seus conhecimentos e habilidades e ainda criar novas amizades.

Não podemos esquecer que a reprovação é também um resultado da escola e portanto merece uma reflexão séria de sua participação ou ausência neste fracasso escolar. A isenção de responsabilidade, mesmo que parcial, não possibilita uma mudança no que deve ser alterado para evitar novas reprovações como uma didática diferente, um olhar mais atento, um acompanhamento mais próximo do aluno e de sua família. Os conselhos de classe não devem servir apenas para fechar as notas e definir os destinos escolares dos alunos mas devem também propiciar a auto crítica de todos os envolvidos no processo de ensino/aprendizagem, corpo docente e equipe pedagógica, incluindo aí a psicóloga escolar.

A reprovação de um aluno é a última lição do ano e temos que aproveitar para todos aprendermos algo com ela.

Estresse de Final de Ano na Escola

4 nov

por Vivien Rose Bock

Inicia-se novembro, mais um mês e terminou o ano.

Costumo dizer que é a época de maior nível de estresse escolar pois resultados começam a se definir, fracassos e vitórias se configuram, é a reta final para consolidar o que se construiu durante todo o ano.

A síndrome de Burnout chega no seu auge, pois além do acúmulo do trabalho cotidiano somam-se a ansiedade e pressão dos alunos e suas famílias para alcançar a média mínima necessária para “passar de ano”, quem fica em recuperação, quem já não tem mais chance… como se este resultado dependesse apenas da boa vontade docente.

Por outro lado, é a premência de fechar as notas, as listas de presença, os relatórios exigidos pela secretaria, pela coordenação, pelo SOE.

E se não bastassem os aspectos anteriores, nas escolas privadas, há a dúvida da permanência no emprego no ano que vem. É nesse período que “a dança das cadeiras” dos profissionais da Educação começa. Quem será demitido, quem mudará de função, quem lecionará em outro nível?

A síndrome de Burnout ou síndrome de esgotamento profissional é um tipo de estresse ocupacional que acomete profissionais que trabalham com um tipo de cuidado, havendo uma relação direta, contínua e altamente emocional com outras pessoas.

Como sintomas mais comuns estão:

  • Exaustão emocional que é a sensação de esgotamento tanto físico como mental, sentimento de não dispor mais de energia para absolutamente nada;
  • Despersonalização, que resulta em contato frio e impessoal com os alunos passando de cinismo e ironia à total indiferença e a
  • Reduzida realização profissional, o tão frequente sentimento de insatisfação com as atividades laborais, baixa autoestima, desmotivação.

E é justamente neste cenário que se faz necessária a intervenção do psicólogo escolar junto ao corpo docente, funcionários e equipe diretiva da escola. Sabe-se que “o suporte social adequado no trabalho está associado com maior satisfação do profissional e são os vínculos estabelecidos entre os colegas de trabalho que permitem que o professor se proteja do desgaste cotidiano da docência”. (Sortto & Ramos, 1999). Portanto, principalmente neste período de final de ano, a melhor defesa contra Burnout consiste no fortalecimento da cooperação grupal entre os professores e demais funcionários escolares. Neste sentido, pode-se propor técnicas de dinâmica de grupo que reforcem a união grupal e o cuidado de todos com todos para a diminuição do estresse. Além do sentimento grupal, pode-se incluir exercícios de meditação e mindfullness que auxiliam no alívio da pressão a nível pessoal.

Penso também ser importante o psicólogo escolar se fazer presente individualmente, tendo uma palavra de incentivo a cada docente e funcionário, colocando-se à disposição para ouvir e pensar conjuntamente sobre alguma situação mais difícil (e neste período há várias) de resolver.

Enfim, é mais do que nunca o momento de unir energias e ser o continente das reflexões dos fracassos e vitórias do final do ano letivo.

 

Para entender melhor os impactos e a prevenção da Síndrome de Burnout, veja nossos curso de Professor como Pessoa e Profissional, Formação em Psicologia Escolar EAD ou a Especialização de Gestão em Psicologia Escolar

Pense nos seus Professores – Homenagem ao Dia do Professor

15 out

por Vivien Rose Bock

 

Pense nos seus professores, de quem você lembra? E por que você lembra? Qual o motivo desta lembrança, depois de transcorridos tanto tempo?

Se buscarmos em nossa memória, a imagem dos professores que mais marcaram a nossa vida, certamente lembraremos muito mais de como eram como pessoa, seu estilo pessoal, seu comportamento, enfim sua personalidade, do que aquilo que nos ensinaram a nível de matérias escolares.

Lógico que os conteúdos ministrados foram fundamentais para nossa formação, mas dificilmente distinguimos, no mar de nossas recordações, quem e quando nos ensinaram determinada lição.  O que aprendemos através das disciplinas pedagógicas fazem parte de um grande bloco de conhecimentos que se tornam relativamente indistintos sobre quando e por quem foram lecionados.

A pessoa do professor é que nos traz recordações positivas ou não, divertidas ou angustiantes, construtivas ou frustrantes.

Alguns terão a terna lembrança de uma educadora acolhedora, que facilitou o ingresso na escola, longe do colo materno; do professor que acreditou na competência do aluno e o incentivou a superar uma situação que lhe era difícil; do docente parceiro e bem humorado ou daquele seguro e tranquilo em sua autoridade. Mas também ocorrem recordações dolorosas de professores rígidos e que tonavam a aula tensa; de humilhações sofridas por deboches de um docente perverso; dos gritos e agressões dos professores inseguros e estressados ou das aulas enfadonhas dos mestres frustrados.

A personalidade do docente é tão importante no processo de ensino/aprendizagem que em muitos momentos é confundida com a disciplina que ensina. Quantas vezes alunos que não gostavam de uma matéria em um ano, passam a apreciá-la, como por encanto, na série seguinte? Os alunos, frequentemente, gostam da disciplina quando gostam do professor, as aula são percebidas como interessantes quando o professor é estimulante e tem bom vínculo com o escolar. Mas o contrário também ocorre, sendo que uma matéria é considerada chata quando o docente é chato, difícil quando o professor é distante.

Assim também, muitos professores, optaram em  se tornar  um profissional da Educação pela influência de um modelo positivo recebido de um mestre em sua vida escolar.

Todo conteúdo ministrado é feito através do professor através de sua personalidade, de suas idéias, de seus valores e comportamento, culminando no relacionamento construído com seus alunos. Portanto, a pessoa do professor é tão importante quanto os conteúdos que leciona.

Por isso professor, pense nos seus alunos, como será que eles se lembram de você? Como você quer ser lembrado?

Aos professores que nos formaram através de uma aprendizagem significativa, com segurança e carinho, nosso agradecimento.

Psicologia Positiva na Escola

4 out

Por Patrícia Bock Bandeira

Você foi chamado na escola para ter uma reunião a respeito do comportamento do seu filho. Em geral, a primeira coisa que vem na cabeça é “ihh, o que será que esta criança aprontou?”.

Temos essa tendência a pensar que vamos vivenciar uma situação ruim. Em parte porque raramente vemos a escola chamar os pais de alunos com bom rendimento ou comportamento para dar um elogio, então já presumimos que vamos receber alguma notícia ruim.

O inverso também é verdadeiro: quantas vezes os pais solicitam uma reunião com um professor ou professora para reconhecer a qualidade de uma aula ministrada ou o esforço em atender as necessidades de seus alunos?

É interessante notar que em geral tanto a família quanto a escola agendam conversas e reuniões entre si somente para apontar dificuldades e problemas, mas raramente para reconhecer ou elogiar pontos positivos ou avanços. No entanto, existe uma abordagem chamada Psicologia Positiva que propõe uma nova forma de encarar as coisas.

Essa área da Psicologia estuda os aspectos positivos e saudáveis dos indivíduos, grupos e organizações, preocupando-se em fortalecer as competências ao invés de focar e corrigir as deficiências. Isso não quer dizer que trabalhar com os problemas não é importante, mas essa linha enfoca naquilo que merece ser reconhecido e reforçado.

Essa abordagem, introduzida principalmente pelo psicólogo Martin Seligman, pode facilmente ser aplicada no contexto escolar. E se o tempo dedicado a queixas aos alunos com baixo rendimento escolar em conselhos de classe fosse dedicada para entender o aluno com adequado rendimento e comportamento? E se compartilhássemos mais as histórias de sucesso dos professores no manejo com os alunos ao invés das discussões? E se reforçássemos também a atitude daquele adolescente que se ajudou o colega ao invés de somente repreender quando é indisciplinado? Sem dúvida essas pequenas mudanças contribuiriam para criar um clima escolar mais favorável, contribuindo para o aprendizado dos alunos e para o desempenho profissional dos educadores.

Que tal você já aplicar essa ideia a partir de agora? Faça um elogio a um colega, comente sobre alguma mudança positiva feita pela gestão ou convide familiares de alunos com bom rendimento para reconhecer o esforço da criança. Você vai fazer a diferença no dia de alguém e no seu próprio dia também. 🙂

 

Se quiser saber mais, essa abordagem é estudada nos cursos de Especialização de Gestão em Psicologia Escolar e Formação em Psicologia Escolar EAD do Cape.

 

Inclusão na Educação Infantil

17 jun

Muitas vezes o processo de inclusão no ambiente escolar nos coloca à frente de situações inusitadas. Dentre eles, podemos citar o caso de uma professora de uma turma de Educação Infantil, com crianças de 4 a 5 anos, que relatou que um aluno se recusou a segurar a mão de outra colega porque “ela é esquisita”, referindo-se a uma colega com Síndrome de Down. A professora ficou chocada com a atitude e pediu à coordenação uma sugestão do que fazer com este menino, e também gostaria de realizar uma atividade com sua turma para a melhor aceitação desta colega com síndrome de Down.

Nesse sentido, pensando em como lidar com a situação, a psicóloga Adriane de Cássia Alves Gonçalves coloca que o despertar para as diferenças e semelhanças entre as pessoas ocorre na fase da educação infantil. Naturalmente chama a atenção das crianças qualquer outra que apresenta características que se destaquem de forma explícita, como acontece em crianças com síndrome de Down, que fisicamente apresentam diferenças notáveis. Nesse sentido, frente à preocupação e reação da professora eu a acolheria para ouvi-la e junto refletir sobre a atitude da criança de que não há nada que não possa ser trabalhado, como em outras situações: crianças negras, meninos de cabelo comprido, meninas de cabelo curto, etc.. Trabalhar as diferenças precisa fazer parte do cotidiano escolar.

A professora precisa entender a natureza da “rejeição ao diferente” para que a atitude do menino não seja “potencializada” e vista como algo tão “surpreendente”, mas que faz parte do trabalho educativo em relação “ao outro diferente de mim”. Por mais que a atitude surpreenda a professora, chama a atenção sua reação de “choque”, o que pode demonstrar ainda o despreparo da mesma para reconhecer a naturalidade do estranhamento do menino para intervir com tranquilidade na situação.

Conversar com o menino sem julgamento moral, sem criticar sua atitude como “feia” sem obriga-lo a dar a mão para a colega, será a forma de entender que ele como criança está conhecendo o mundo com diferenças e precisa entender que não há problema em ser diferente e que, por isso, a colega não é “esquisita”, mas tem o seu jeito. O trabalho com crianças é sempre com dois caminhos concomitantes: o da intervenção imediata quando algo ocorre e o planejamento pedagógico diário que contempla temas como este. Dessa forma, projetos devem fazer parte do trabalho sobre as diferenças e semelhanças: somos todos pessoas, crianças, mas cada um tem o seu jeito. Isso pode ocorrer através de histórias, brincadeiras, desenhos, conversas na rodinha, trabalhar o corpo, as diferenças físicas, os gostos e interesses diferentes e muitas outras maneiras podem ser pensadas para que as crianças curtam os trabalhos ao mesmo tempo em que estão familiarizando-se com o tema em questão. Esse trabalho precisa acontecer independente da turma ter alguma criança com necessidades especiais. No entanto, quando houver, o foco no tema precisa ser intensificado, onde as famílias e corpo docente precisam acolher lidando com “medos” e preconceitos. A inclusão traz benefícios para todos os envolvidos na medida em que se aprende o senso de humanidade e aceitação do outro diferente de mim e proporciona a criança o convívio com seus pares, auxiliando positivamente no desenvolvimento integral.

Desde que a educação inclusiva tem sido um repensar permanente se percebe que ainda mobiliza famílias e professores, mas com aceitação maior do que era anteriormente. Assim, precisa ser falado sobre isso, equipe pedagógica trabalhar com o corpo docente esta realidade, pois precisam estar preparados para lidar e intervir em situações como essa do menino sem que isso seja algo que “desestabilize” tanto o professor.

Texto elaborado pela psicóloga Adriane de Cássia Alves Gonçalves, aluna do curso de Formação em Psicologia Escolar.

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Janeiro Branco também se faz nas escolas

18 jan
O Janeiro Branco é uma campanha com o objetivo de mobilizar e conscientizar a sociedade em favor da saúde mental.

Neste sentido, é importante pensar no papel da psicologia também no contexto das escolas. É através da Psicologia Escolar que se pode promover a saúde mental da forma mais ampla, atingindo grande número de pessoas e atuando preventivamente em crianças, jovens e suas famílias.

As principais queixas surgidas no âmbito escolar referem-se a distúrbios psicológicos que alunos e professores vem apresentando. São comportamentos desviantes que traduzem e promovem grande sofrimento psicológico.

Por parte do alunato temos o quadro de bullying onde alguns alunos tornam-se vítimas de humilhações morais e/ou ataques físicos por parte de colegas e agressores que se comprazem em suas agressões, sendo que ambas as partes deste infeliz fenômeno merecem um olhar atento em suas consequências e motivações e uma intervenção especializada e não amadora e meramente paliativa como vem ocorrendo em nossas escolas.

Podemos citar ainda o problema das drogas, que é ameaça constante e que consome muitos de nossos jovens; a falta de limites e a violência escolar permeiam as salas de aula interferindo no processo de ensino-aprendizagem e são de difícil manejo para professores e diretores; a desmotivação que acomete os alunos para aprender (e que é um dos fatores proeminentes da evasão escolar) como aos professores para ensinar.

Não menos preocupante, sob o ponto de vista da saúde mental, encontra-se os docentes com queixas de desânimo, de falta de energia para continuar sua docência, quadro este conhecido como a Síndrome de Burnout. Este stress que não prejudica apenas o professor, mas que faz com que ele trate seus alunos com ironia e frieza, desqualificando-o enquanto pessoa e minando de forma, muitas vezes, irreversível o vínculo afetivo entre educador e educando.

Além disso, as famílias encontram-se cada vez mais desorientadas e isoladas para educar seus filhos e necessitam de orientação nesta missão, sobrecarregando os docentes e que nem sempre, sabem como ajudar.

Evoluímos no número de crianças e jovens que frequentam nossas escolas e devemos agora fazer com que a qualidade da vida escolar acompanhe a quantidade. Neste sentido faz-se necessário que a escola seja apoiada por profissionais aptos para o atendimento e entendimento dos conflitos emocionais e comportamentais.

 

8 Dicas para Lidar com a Dependência Tecnológica das Crianças

12 out

por Vivien Rose Bock, psicóloga clínica e escolar, coordenadora do CAPE

Um dos assuntos mais comentados nas escolas e nas famílias hoje em dia, é sobre o uso e abuso da internet, dos games e das redes sociais.

A confusão e preocupação está instalada a medida que a geração de pais e professores não domina esta nova tecnologia tanto quanto a de seus filhos e todos estamos aprendendo a lidar também com suas consequências boas e com as prejudiciais.

Impedir o acesso a essas novas tecnologias é querer conter o rumo da história e deixar os filhos e alunos a margem de uma evolução de seu tempo e que abre para horizontes sem fim o conhecimento.

Mas é necessário conter o excesso de tempo de uso e filtrar os dispositivos que são acessados pelas crianças e jovens.

Neste sentido achamos pertinente compartilhar um artigo do jornal Zero Hora desta terça-feira que fornece dicas para pais e filhos (e porque não, aos professores também?) sobre a dependência tecnológica:

1 –  Tempo: independentemente do tipo de tela, fique atento ao tempo de exposição de seu filho.  — A TV abafa o pensamento consciente porque as imagens se sucedem muito rapidamente. Não dá para pensar em cada uma — diz Valdemar Setzer, do Departamento de Ciência da Computação da USP.

2 – Diretrizes: a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que crianças de até dois anos não tenham contato com os equipamentos. Para crianças entre dois e cinco anos, a recomendação é de uso máximo de uma hora diária e, para as maiores de seis, até duas horas. As diretrizes são semelhantes às da Associação Americana de Pediatria.

3 – Horário: mesmo dentro da cota, evite o contato pouco antes do sono ou durante as refeições. A tela dificulta que o cérebro receba estímulos sobre sabor, textura. — E a noção de saciedade fica prejudicada — diz Liubiana Araújo, da SBP.

4 – Tecnologia a seu favor: para ajudar no controle de tempo, já existem aplicativos que conectam o celular dos pais ao equipamento dos filhos e indicam o número de horas que estão conectados.

5 – Participação: nos momentos de acesso aos equipamentos, esteja junto — o tempo nas telas não precisa ser solitário. Jogar videogame com as crianças ou comentar os filmes amplia as interações, importantes para o desenvolvimento infantil.

6 – Dê o exemplo: pais hiperconectados têm mais dificuldade em propor aos filhos que eles fiquem sem as telas. Experimente se desligar do celular por algumas horas.

7 – Zonas livres: crie em casa áreas sem aparelhos – como o quarto das crianças ou a sala de jantar – e momentos de “detox”. Há famílias que já têm caixinhas, onde deixam os celulares quando chegam do trabalho ou da escola.

8 – Sinais de excesso: caso perceba um uso abusivo, procure ajuda psicológica. Falta de concentração, irritação e impaciência podem ser sinais de excesso. Ligado à USP, o site Dependência de Internet reúne mais informações e dicas sobre vício tecnológico.

Fonte: Jornal Zero Hora – 08.10.2018

Desafios da inclusão na educação básica

10 jul

Texto elaborado pelo psicólogo e aluno do curso de Formação em Psicologia Escolar, Deskson de Castro Almeida Júnior, de Lauro de Freitas – BA.

Atualmente, faço parte do Núcleo de Educação Especial da Secretaria Municipal de Educação de Lauro de Freitas – BA, onde trabalho como psicólogo junto a uma equipe multidisciplinar formada por pedagoga, psicopedagoga, assistente social, entre outros. Nosso trabalho é promover e garantir a educação especial na cidade de Lauro de Freitas, e para isso, prestamos assistência a todas as escolas públicas do município, aos gestores, professores, cuidadores, pais e os próprios alunos que estão matriculados na rede e são público-alvo da educação especial, que são pessoas com deficiência. A partir dessa contextualização, trago meu olhar sobre o processo de inclusão das pessoas com deficiência na educação básica a partir da minha experiência profissional.

A inclusão da criança com deficiência na educação básica vem sendo um desafio para todos. Dentre esses desafios encontramos, primeiramente, resistência por parte de gestores, professores, cuidadores, colegas e até mesmo dos pais da criança. Muita dessa resistência surge pela frustração que a criança com deficiência traz á lógica escolar e a família. É notável que essa criança com deficiência frustra expectativas e anseios comuns a equipe escolar e aos pais que esperam desempenho e produtividade do aluno. É comum ouvir queixas e acusações de dificuldades em controlar a sala por causa da presença de um aluno com deficiência pois, segundo relato de professores, ele demanda atenção e cuidados acima da média e isso muitas vezes é o suficiente para desorganizar toda a sala.

Os pais possuem também trazem desafios a inclusão da criança com deficiência na educação básica: rejeição, abandono, negligência ou o contrário, superproteção são comportamentos que dificultam a escolarização e criam diversos problemas de comunicação e relação com a escola, pois, muitas vezes os alunos com deficiência são os que mais precisam da presença dos pais no processo de escolarização segundo a própria deficiência.

Existem ainda a descrença na educação inclusiva, mais uma vez através de questionamentos em torno do desempenho dos alunos com deficiência. O alvo principal das queixas dos profissionais das redes se voltam para as crianças com deficiência intelectual ou transtornos globais do neurodesenvolvimento. Entendemos que essa resistência específica acontece porque são alunos que tem mais dificuldades com o processo pedagógico e que, por tanto mobilizam maior angústia e ansiedade dos pedagogos que se sentem pressionados pela escola e pelos pais. Infelizmente, é importante trazer que muitos alunos da educação inclusiva na rede pública não estão alcançando as expectativas mínimas de escolarização.

A educação inclusiva é um desafio ainda maior na rede pública porque é um fato de que existem sérios problemas de estrutura e recursos para a escolarização de alunos regulares, maior ainda se torna a escolarização de alunos com deficiência que requerem uma adaptação estrutural, pedagógica e social e que muitas vezes não acontece. Encontramos escolas que fazem o possível para que ocorra a inclusão, mas que mesmo com profissionais preparados, estrutura razoável e atenção a adaptação do aluno não conseguem tal feito, por falta de uma rede de saúde qualificada que possa dar suporte psicoterápico e medicamentoso á um aluno autista, por exemplo. Existem casos de bullying dentro da escola, que comprometem a saúde emocional da criança com deficiência que sofre rejeição e isolamento social no âmbito escolar.

Para essas e outras demandas, existe o nosso núcleo que atua de maneira preventiva e interventiva para tornar possível a inclusão nas escolas. Tenho conhecimento de outros profissionais que afirmam que nós estamos avançando no município em relação a outras cidades. Mas acredito que a educação inclusiva, ainda esteja no estágio de integração. Como pude colocar, a inclusão da criança com deficiência na educação básica não é só um problema da escola, mas da família, da comunidade e da sociedade como um todo, que precisam ser solucionadas através de políticas públicas que reconheçam a cidadania das pessoas com deficiência e garantam seus direitos como cidadãos, porque, acredito eu, este é o cerne do problema.

O que mais eu devo fazer para motivar meus alunos?

28 maio

Confira trecho do livro “Motivação para Aprender, Motivação para Ensinar” de autoria da psicóloga Vivien Rose Böck, diretora do CAPE.

 

Alguns anos atrás, uma professora de literatura, falava sobre um momento muito frustrante vivido com seus alunos. Contou que havia preparado com todo esmero e dedicação uma aula de literatura sobre a fase do Romantismo. Passara a noite trabalhando e julgou que ficara muito bom, a ponto de mostrar o planejamento para um colega professor da mesma matéria. Mas sua frustração surgiu com os alunos, para os quais preparara a aula. Eles não manifestaram qualquer interesse pelo assunto, alguns passaram o período conversando, outros estavam totalmente desatentos.

 A professora  perguntou, num misto de desencanto e indignação:

 “-Tanto trabalho, tanta dedicação e os alunos nem aí. Eu me dediquei, criei uma aula interessante e eles não se interessaram. O que mais eu devo fazer para motivar meus alunos?”

O que se pode fazer é mudar o entendimento, a linha de compreensão sobre motivação escolar.

No caso exemplificado anteriormente, a professora trouxe autores, datas, obras, muito bem organizados, mas isso não atraiu seus alunos. Eles não demonstraram necessidade interna própria de saber sobre o Romantismo. Talvez essa fosse uma vontade da docente, talvez venha a ser uma necessidade futura dos alunos, mas naquele momento não havia essa carência e assim não houve motivação e em conseqüência, não houve aprendizagem.

No entanto os jovens querem saber de romance, os adolescentes facilmente são românticos, pois esta é uma característica desta etapa da vida, os namoros, os encontros, os primeiros amores… Provavelmente a docente teria tido mais atenção dos alunos se tivesse aproveitado e integrado as experiências românticas deles com a fase literária do Romantismo.

O erro da docente foi acreditar que ela podia motivá-los.

Ninguém motiva alguém. A idéia, muito disseminada, de o professor conseguir motivar os alunos é falsa e cria expectativas frustrantes.

Para que existam estudantes motivados para a aprendizagem, é necessário entender o processo motivacional e as circunstâncias nele implicadas.

 

O que é motivação?

A motivação é compreendida como uma energia interna que impele as pessoas à ação.

 Segundo Bergamini (1997) a “motivação é função tipicamente interior a cada pessoa, como uma força propulsora que tem suas fontes frequentemente escondidas no interior de cada um e cuja satisfação ou insatisfação fazem parte integrante de sentimentos experimentados tão somente dentro de cada pessoa”.

A motivação provem da pessoa, de dentro para fora, e não de fatores externos ao sujeito, apesar de poder ser influenciada por eles. A própria palavra – motivo + ação – descreve este processo, ou seja, é necessário existir um motivo interno para desencadear uma ação.

Os motivos são entendidos como necessidades próprias da pessoa, não satisfeitas, que geram sensações físicas ou emocionais negativas, de tensão, as quais ameaçam a integridade da pessoa. (Bergamini, 1997; Huertas, 1997; Vernon, 1973). Conforme a intensidade deste desconforto, os indivíduos sentem-se pressionados a agir de modo a encontrar um equilíbrio de bem-estar pessoal. Assim quanto mais intensa for a necessidade, maior será a motivação.

A motivação é conseqüência de necessidades não satisfeitas.

A pessoa aprende quando enfrenta em si e reconhece uma situação de falta ou carência. Se esta problematização não ocorre, a aprendizagem não se inicia ou, se iniciada, não se consolida (Fernández, 2001).

A simples enunciação do objeto de conhecimento, normalmente, não é suficiente para mobilizar a atenção do aluno sobre o tema. É necessária uma ação educativa no sentido de provocar, desafiar, estimular, ajudar o estudante a estabelecer uma relação significativa com o assunto, que corresponda, em algum nível, à satisfação de uma necessidade sua, mesmo que esta necessidade não estivesse tão consciente de início. (Vasconcellos, 1992)

Portanto para que os alunos sejam motivados deve-se pensar quais são as necessidades deles, ou como fazer para provocá-las, para suscitar suas carências.

O desafio está em fazer o aluno desejar o que lhe é oferecido em sala de aula pelo professor.

Saiba mais em  www.capepsi.com.br/publicacoes

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